Dante, O Poeta Visionário
O florentino Dante Alighieri nasceu há mais de 750 anos.
Conhecido por sua jornada alegórica do pecado até a salvação,
A Divina Comédia é um dos livros essenciais da humanidade. A
fervura que o autor trouxe continua a aflorar pelo mundo por sua própria
história e outras que a utilizam como base.
Muitas pessoas dentre as religiões questionam e respondem à obra, enquanto
outras temem principalmente os círculos da condenação. Para se ter uma ideia,
o dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett mantinha uma cópia da obra de
Alighieri ao lado da cama, enquanto morria em um hospício de Paris.
Sendo o próprio personagem, Dante inicia sua jornada em uma floresta
sobrenatural ao anoitecer. Perdido em sua meia-idade, solitário e com medo,
adentra o inferno guiado pelo poeta latino Virgílio, um enviado da sombria
Beatrice.
A primeira seção de Inferno foi iniciada em 1307, cinco anos
depois de ter sido expulso de Florença por falsas acusações de corrupção.
Depois do ocorrido, Dante nunca mais voltou a sua cidade natal e passou a dar
foco em seu trabalho visionário. Pretendendo alcançar um público maior, o
autor preferiu escrever A Divina Comédia em italiano vernáculo¹ e não em
latim.
¹Vernáculo - nome que se dá ao idioma próprio de um país
nação ou religião; é a língua nacional.
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| Ilustração de Gustave Doré/The Divine Comedy |
Não podemos ignorar os detalhes planejados pelo autor, especialmente seus
simbolismos numéricos. Dante espalhou pela obra um número: o três. A
Santíssima Trindade, os nove círculos do inferno e os nove níveis do paraíso
(3 vezes 3), Satanás tem três cabeças, são 33 cantos em cada livro - Inferno,
Purgatório e Paraíso - e o mais impressionante, todo o texto está em terza
rima².
²Terza Rima - uma forma de poesia em que há um conjunto de três linhas,
a primeira e a última das quais rimam e a linha do meio que rima com
a primeira e a última da estrofe seguinte.
Para você ter uma noção, em Torino (Turim), no norte da Itália, aconteciam os
chamados “Torneios de Dante”, onde meninos demonstravam seus conhecimentos
sobre A Divina Comédia. O participante recitava um canto da obra e seu
oponente prosseguia com o próximo. O escritor judeu Primo Levi participou de
um desses torneios e em “É Isto um Homem?” seu livro de memórias de Auschwitz,
relatou sua luta no campo de extermínio nazista para lembrar algumas linhas do
poema.
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| Ilustrações de Gustave Doré/The Divine Comedy |
Se você acha que precisa de recomendações para lê-lo, saiba que muitos autores recomendam e se inspiram na obra para o desenvolvimento de suas histórias. Grandes pintores, músicos e escultores trouxeram cores e formas ao universo dantesco que você deve já deve ter visto em buscas no Google. No Brasil, muitas versões de “A Divina Comédia” são comercializadas, mas indico o da Editora 34 por ter um bom design, diagramação e pelos que muitos dizem, a melhor tradução.
Título: A Divina ComédiaTítulo Original: The Divine ComedyAutor(a): Dante AighieriEdição: Brochura, 696 páginas (BOX)[Skoob]Texto fundador da língua italiana, súmula da cosmovisão de toda uma época, monumento poético de rigor e beleza, obra magna da literatura universal. É fato que a "Comédia" merece esses e muitos outros adjetivos de louvor, incluindo o "divina" que Boccaccio lhe deu já no século XIV.Mas também é certo que, como bom clássico, este livro reserva a cada novo leitor a prazerosa surpresa de renascer revigorado, como vem fazendo de geração em geração há quase setecentos anos. A longa jornada dantesca através do Inferno, Purgatório e Paraíso é aqui oferecida na íntegra - com seus mais de 14 mil decassílabos divididos em cem cantos e três partes - na rigorosa tradução de Italo Eugenio Mauro, vencedora do Prêmio Jabuti e celebrada por sua fidelidade à métrica e à rima originais. A edição traz ainda, como prefácio, um inspirado ensaio de Otto Maria Carpeaux.



























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